Enquadramento

Enquadramento

A Saúde Pública é agora, mais do que nunca, reconhecida como uma área prioritária. Nos últimos anos as preocupações centraram-se na pandemia COVID-19, que expôs desigualdades e vulnerabilidades nos sistemas de saúde e alimentares, realçando a importância da Saúde Pública e da Nutrição Comunitária na prevenção das doenças não-transmissíveis. Estas continuam, e continuarão a ser, nas próximas décadas, as que terão maior contributo para a “carga global de doença”. Os fatores alimentares estão entre os principais fatores de risco modificáveis que contribuem para esta carga global de doença, pelo que todas as intervenções com vista a melhorar a saúde e a qualidade de vida das populações, passarão, necessariamente, pelo reforço das políticas que envolvam a alimentação e a nutrição.

A complexidade dos problemas de saúde e seus determinantes, e as suas dinâmicas de interpenetração e dependência, exigem que passemos de abordagens uni ou bidimensionais dos mesmos para abordagens multidimensionais, nomeadamente, no desenho das respetivas estratégias de intervenção. As necessidades de saúde geram diferentes necessidades de intervenção, a desenvolver através da implementação de estratégias específicas pelos diferentes setores da sociedade e respetivos stakeholders, aos níveis global, nacional e subnacional (sobretudo, local), num processo co-criativo, e segundo uma abordagem multissectorial e multinível. Importa, por isso, desenvolver uma Saúde Pública de precisão, que permita implementar a estratégia de intervenção certa, no momento certo, na população certa.

O investimento numa força profissional com capacidades e competências específicas avançadas, é essencial para uma melhor prestação de serviços e atuação em Nutrição Comunitária e Saúde Pública, com o fim último de melhorar o bem-estar da população e combater as iniquidades. A formação ao longo da vida e o reforço do treino profissional especializado é uma das prioridades das Operações Essenciais de Saúde Pública propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Num esforço conjunto com a OMS, a Associação das Escolas Europeias de Saúde Pública (ASPHER) tem pugnado para uma Saúde Pública verdadeiramente transdisciplinar e intersetorial, mais inclusiva e com experiências partilhadas, definindo um conjunto de competências nucleares para a designada “Força profissional da Saúde Pública”. Neste enquadramento, torna-se prioritário o desenvolvimento de competências específicas para os Nutricionistas, que possam reforçar o seu papel enquanto agentes de Saúde Pública, mas também enquanto líderes ativos com capacidades diferenciadas de atuação. A orientação para que as estratégias nacionais e internacionais de alimentação e nutrição assentem numa abordagem de intervenção multissectorial conduziu, em Portugal, à elaboração da designada Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável (EIPAS), que visa “incentivar o consumo alimentar adequado e a consequente melhoria do estado nutricional dos cidadãos, com impacto direto na prevenção e controlo das doenças crónicas”. Esta estratégia, articulada com o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da Direção-Geral da Saúde, envolve, para além de representantes governamentais da área da saúde, representantes de outras áreas como a das finanças, das autarquias locais, da educação, da economia, da agricultura e da alimentação e pescas, reforçando a complexidade da atuação na modificação da oferta alimentar, com vista à garantia da segurança da alimentação e dos alimentos, da saúde e bem-estar da população, bem como da sustentabilidade dos sistemas alimentares.

A promoção da saúde implica um compromisso com instituições governamentais e não-governamentais, comunidades e indivíduos para enfrentar e resolver os desafios da saúde através da construção e implementação e avaliação de políticas públicas saudáveis, criando ambientes de suporte e fortalecendo a ação comunitária e as capacidades individuais de escolha dos cidadãos.

Assim, orientar a diferenciação e a excelência do exercício profissional será uma das nossas prioridades, fortalecendo o papel dos nutricionistas especialistas em Nutrição Comunitária e Saúde Pública nos vários campos de atuação, nomeadamente nos cuidados de saúde primários, nas autarquias, nas instituições de educação, ensino e ciência, nas entidades recreativas e de lazer, nas organizações de solidariedade social, e noutras instituições públicas e privadas.

Pretendemos colocar o enfoque da ação dos nutricionistas especialistas em Nutrição Comunitária e Saúde Pública nos princípios, cada vez mais incontornáveis, de “One Health” e de “Saúde e Alimentação Sustentáveis”, no alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, propostos pela Organização das Nações Unidas.

Defendemos um Colégio que se sinta motivado e envolvido no prestígio da nossa profissão e tudo faremos para consolidar os princípios da especialização.

Esta equipa propõe consolidar os princípios orientadores da especialidade e apoiar a Ordem dos Nutricionistas nas atividades de autorregulação profissional, atribuição dos títulos de especialista, e em particular na sua missão principal de zelar pelo direito dos cidadãos a uma alimentação e nutrição de qualidade.

É neste contexto que integramos esta candidatura, entendendo que a resolução de desafios complexos, como os que são colocados pela área da alimentação e nutrição na sua relação com a saúde populacional, exige cada vez mais uma força profissional da Nutrição Comunitária e Saúde Pública mais qualificada, mais especializada nas suas diferentes vertentes de atuação, que possa dar suporte às políticas públicas ao nível local, regional, nacional e global, com fim último de servir as verdadeiras necessidades da população em termos de alimentação, saúde e bem-estar, fomentando, também, princípios de equidade e sustentabilidade.

© 2022 Lista "Mais e Melhor Nutrição na Saúde Pública"